sábado, 7 de abril de 2012

Nunca deixar de acreditar


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The Solemn Hypnotic estava realmente carente de postagens nestas últimas semanas. Envolvida demais com a escola e a pressão que ela sempre exerceu sobre mim, eu acabei me deixando levar pela maré, sem perceber que estava colocando em segundo plano um monte de coisas  que eu simplesmente adoro fazer, dentre elas, estar aqui. Em um desses dias, eu recebi uma redação com uma nota ridícula, por assim dizer. Ouvindo a querida professora de Língua Portuguesa palestrar durante cinquenta minutos sobre os textos deveriam ou não ter, eu fiquei me perguntando o porquê dessa coisa maciça que forma a língua.

Na verdade, eu nunca me adaptei à esse tipo de coisa na escola. Eu nunca conseguia decorar todas as normas de gramática, e não sabia na verdade pra quê isso servia. Agora, essa mulher vinha me pedir que escrevesse coisas secas, como todo mundo tem capacidade de fazer. De certa forma, as coisas tem que ser de algum modo uniformes para serem entendidas, e nisso eu concordo com ela. Mas, dizer que todas as coisas têm que se parecer umas com as outras, totalmente fora de sentimento ou de perspectiva é realmente muita crueldade.

Isso não se trata de como ou o quê se produz, mas sim de seguir à certas regras pra sempre, de um jeito rígido que não permite ser artista a quem quer ser artista. Talvez, eu tenha realmente que ser como todo mundo e as coisas fiquem melhores assim. Talvez seja apenas uma questão de enquadramento. E tempo. O tempo deve matar qualquer vontade ou efervescência dentro de mim. Talvez ela esteja a milhões de anos luz  de mim, vendo as coisas de uma forma muito mais concreta, mais justa.

Possivelmente, eu sou só mais uma no meio daquele mar de individualismos, de gente que acha que tem talento. Eu fico sozinha, contando estrelas, tentando nunca deixar de acreditar que as coisas realmente são verdade. Enquanto a autoafirmação não vem, eu fico contando estrelas e tentando seguir as regras de sempre.

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domingo, 4 de março de 2012

Beatles in concert

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Shows são sempre coisas excitantes: mexem com todos os nossos sentidos e perturbam nossa noção de tempo e espaço. Para pessoas como eu, se fundir à própria aura do ambiente é tarefa muito fácil.

Beatles in concert, que rolou na noite de sexta aqui em Belo Horizonte traduziu muito bem o que eu quero dizer. Juntando banda, orquestra e coral, o show obteve um resultado agridoce e extasiante na reprodução de músicas dos FabFour. Foi uma linda homenagem.

Observando um pouco, nós percebemos um monte de coisas. O que nós temos aqui, pessoal, é uma maravilha atemporal que o quarteto de Liverpool nos deixou como legado: eu vi os sorrisos contentes de crianças, eu vi a agitação de cabelos brancos no ar se misturando com toda aquela luz entorpecente.

Então eu parei para pensar: o que The Beatles significa para mim? É uma pergunta vasta, extensa demais para se pensar. Apenas ouça. Apenas olhe. Isso é uma herança de valor imensurável. Nós estamos aqui, totalmente diversos, sem conexão aparente alguma. O que há de comum entre todos nós é que nós nutrimos um sonho, nós acreditamos em algo atemporal. Nós acreditamos em quatro homens eternos, que deixaram sua marca no tempo: uma cicatriz que nenhum outro que vier conseguirá apagar. Nós nutrimos o bom num oceano de febres passageiras e paixões fajutas.

Simplesmente, nós sentimos algo em nossos corações que não se apaga durante anos, durante gerações. Somos eternamente gratos por isto. É isso, é apenas essa singela força invisível que temos em comum e que nos move para uma paz inexplicável. Porque isso é mais do que uma guitarra ribombando no ar, muito mais que rostos bonitos. É sobre amor, sobre paz.

Enquanto eu sentir essa paz dentro de mim, enquanto vocês me derem algo em que acreditar, um porquê de lutar, eu não vou precisar de muito mais. Nós amamos vocês.
Here comes the sun, here comes the sun,
And I say it's all right

Little darling, it's been a long cold lonely winter
Little darling, it feels like years since it's been here
Here comes the sun, here comes the sun
And I say it's all right

Little darling, the smiles returning to the faces
Little darling, it seems like years since it's been here
Here comes the sun, here comes the sun
And I say it's all right

Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes...

Little darling, I feel that ice is slowly melting
Little darling, it seems like years since it's been clear
Here comes the sun, here comes the sun,
And I say it's all right

Here comes the sun, here comes the sun,
It's all right 
(Here Comes The Sun - The Beatles)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

De Cartas Nunca Lidas


De: Uma (ex-)amiga que sente saudades


Para: Uma (ex-)amiga que se foi


Belo Horizonte, onze de fevereiro de dois mil e doze


Cara F.,


Você pode achar estranho receber uma carta no seu aniversário de uma pessoa com quem você não fala há tanto tempo, e com quem também não faz muita questão de falar. Mas eu escrevi isto justamente para explicar o meu comportamento cada vez menos condizente no decorrer daquele ano de 2011 e dizer que, mesmo tentando excluir todo e qualquer pedaço seu da minha vidinha insignificante, eu ainda estou aí, se qualquer coisa acontecer, nunca vou me cansar de repetir. E que mesmo que eu não seja tão importante quanto eu pensei que fosse, eu sempre vou estar aqui e de qualquer forma, mesmo que pareça que eu guardo um rancor indizível de você e tudo mais, isso não é exatamente motivo para não ajudar se for preciso, de forma alguma.
A gente se conhece há pouco tempo, mas muitas coisas aconteceram desde então. Todos éramos novos no Coltec. Prontos para começar uma nova fase, todos chegamos a um lugar que lutamos muito para estar. Com medo, com ansiedade, com vontade de conhecer tudo que o colégio poderia ter para oferecer, de ser mais, muito mais. Para uma pessoa como eu, adequar-se a um novo ambiente é bem difícil mesmo, naturalmente. Mas então eu conheci o Ed, a Patty, a Raíssa, o Felipe e você, que, neste primeiro ano, foram pessoas de inestimável importância para mim.
O Ed me ensinou como transformar certos fracassos em fases memoráveis da vida, como transformar uma ruína de amor em uma grande amizade. A Raíssa contracenou com a minha melancolia usando sua alegria e carisma, e eu adorei isso, nos dias difíceis, ela me ajudou com suas palavras. A Patty também me contagiou com a sua simpatia me mostrando que eu posso ser cada vez mais um pouco mais leve. E, por fim, o Felipe me ensinou que mesmo alguém muito diferente de você pode se tornar um grande amigo. E você? O que você fez por mim? Muito, F. Eu digo que muito mesmo, como talvez você nem imagine. Com o decorrer do tempo, você se tornou sinônimo de um porto seguro, uma confidente com quem eu dividi meus segredos, meus medos, minhas esperanças e tudo o mais que me incomodasse ou alegrasse. Eu te admirava, de certa forma, ainda admiro. Todos vocês parecem muito diversos para mim, mas, uma coisa em comum é que, em certa altura desta caminhada tão difícil, eu precisei dessas pessoas e outra coisa em comum é que elas todas estavam lá.
Mas as coisas mudaram, não é mesmo? Todos nós fomos separados de alguém. Você e a Patty, eu e o Felipe, o Ed, e a Raíssa se separou de nós todos. Eu pensei que, mesmo com isso, as coisas não precisariam mudar, que poderíamos ser amigos inseparáveis como antes. É claro que as coisas nunca poderiam ser iguais, sob as novas circunstâncias. A gente podia tentar, não podia? Claro que sim. E no início até que deu certo.
Aí, mesmo que as coisas tenham ficado um pouco mais distantes nós ainda estávamos todos juntos de alguma forma. Então um monte de coisas aconteceu. Além de estar em salas diferentes, os cursos técnicos exigiam muito mais de nós do que o primeiro ano da escola. Você conheceu o L. E assim as coisas nunca mais foram as mesmas.
Naquela primeira tarde quando você o apresentou a mim, eu pensei que realmente queria muito que vocês ficassem juntos. Você estava feliz e apaixonada, eu sou uma romântica incorrigível e adoro isso. Ele te amava. Aliás, ele te ama. Eu queria e quero para você a felicidade que você parece merecer.
O problema é que você foi ficando cada vez mais distante. Eu pensei que sabia exatamente o porquê: estávamos sem tempo, você agora tinha um namorado, é muitíssimo aceitável que você tenha menos tempo para os seus amigos. Você estava feliz, não é o que importa?! Mas, nesse estágio de felicidade, algumas coisas foram deixadas para trás, eu sou uma delas. O tempo que era pouco para nós, se transformou em tempo nenhum.
Eu não quis aceitar isso. Talvez você saiba como eu sou, eu não gosto muito de perder as coisas importantes para mim. E você se foi de um jeito muito fútil. Este é o ponto em que queria chegar: amigos são amigos não importa os defeitos que os cerquem, isto, assumindo que eu seja ou tenha sido num passado não muito distante, ao menos um pouquinho, sua amiga. Foi por isso que eu fiquei aparentemente com raiva de você. Eu não quero impedir a sua felicidade. Eu não quero que você coloque os seus amigos na frente de tudo que é importante para você. Então, por que eu fiz aquilo? Por que eu te ignorei por tantos meses pensando que algum dia sua ficha ia cair e você ia finalmente perceber o quanto eu estava triste por isso? Não. Eu é que percebi, finalmente, que as coisas não iam mais mudar de novo, pelo menos não do modo como eu queria. Eu não ia conseguir fazer nada a respeito. E por quê? Porque eu, com a minha fragilidade sofrida, chorei e me entristeci muitas vezes neste ano de 2011, eu sofri, eu virei louça e virei concreto. Eu me deparei com problemas muito maiores do que eu poderia enfrentar. Eu precisei de ajuda. E quantas vezes eu não vi você passar diante de uma Ana com os olhos marejados e nada dizer, nada fazer e nada se importar. Eu entendi, eu finalmente entendi o significado de tudo isso.
A culpa não é sua, mas eu não quero assumir uma coisa que também não cabe a mim. Então, eu fico me perguntando como ficamos, para quê eu enchi tantas linhas, o porquê de te atormentar e ocupar seu tempo com tamanho estorvo. Eu não sei, simplesmente essa é a Ana escritora que você talvez não conheça. Ela é toda preto no branco. O preto da tinta no branco do papel. O preto das lágrimas no branco da sinceridade. O preto da tristeza no branco da libertação. Espero que você entenda que ela precisa disso, que ela não consegue ser de outra forma e a perdoe.
O que eu realmente queria passar para você não é o rancor que eu pareço exprimir. Também não são desculpas que não cabem a mim, eu não me sinto culpada, porque você sequer sentiu minha falta. O que eu quero realmente dar a você são os meus mais sinceros votos de Felicidades e Sucesso.
Você ainda tem uma longa estrada pela frente, eu sei disso. Mas, parece que eu não posso mais acompanhar você. Além de tudo, a culpa não aflige meu coração: você sequer precisou ou precisará de mim. Se tudo o que você quer está ao alcance das suas mãos, eu digo: eu espero que você seja imensuravelmente feliz e talvez eu tenha também muito boas lembranças de nós duas.
Eu também vou continuar, do meu jeito, (sobre)vivendo, como eu sempre faço nessa vida caótica e mutante que se estende ao meu redor. Tudo o que eu quero está ao alcance das minhas mãos? Em quais mãos? Nas da Ana escritora se estende a vontade de se fazer conhecida, que distante está. Nas da Ana amante se estende a pessoa maravilhosa com quem ela ainda pretende passar uns bons anos. Nas mãos da Ana estudante do Coltec e futura técnica em Química se estende uma profissão que ela abraça e ama, na qual ela se empenhará com sangue. E, finalmente, juntando todas essas, está uma Ana às vezes selvagem, às vezes melancólica e às vezes frágil em cujas mãos estão ao alcance de pessoas maravilhosas que sempre irão me apoiar. Essas pessoas são importantíssimas para mim, mas eu já aprendi como é perder uma delas. Nunca mais eu serei pega de surpresa, obrigado por me ensinar essa lição.
Isso não quer dizer que eu vou te ignorar como eu fiz durante meses inteiros, como uma covarde desprezível. Eu não tenho mais tempo para ter rancor de coisas que não deveriam me atingir, que já não têm mais nada a ver comigo. Isso quer dizer que você é sempre benvinda. Sempre, sempre. Isso quer dizer que, com todas as coisas, eu sempre estarei aqui, apenas não irei esperar nada de você. Simplesmente, eu quero que você siga como sempre quis e, se isso algum dia lhe causou alguma preocupação ou culpa, ela acaba aqui e agora.


Para você, os meus mais sinceros votos de que consiga tudo o que merece e quer.


Da sua conhecida serelepe,

A Solene Hipnótica.